Fístula anal: o que é, quando é complexa e quais são os tratamentos
- Thais Andreotti

- 19 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A fístula anal é uma condição relativamente comum na prática da Proctologia e pode gerar bastante desconforto, impacto na qualidade de vida e dúvidas nos pacientes. Neste artigo, você vai entender o que é a fístula anal, quando ela é considerada complexa e quais são as principais opções de tratamento disponíveis atualmente.
O que é fístula anal?
A fístula anal é uma comunicação anormal entre o canal anal (ou o reto) e a pele ao redor do ânus. Ela geralmente se forma como consequência de uma infecção nas glândulas anais, que evolui para um abscesso. Mesmo após a drenagem do abscesso, pode permanecer um trajeto interno que não cicatriza espontaneamente — a fístula.
Os principais sintomas incluem:
Saída recorrente de secreção ou pus pela região anal
Dor anal, especialmente ao sentar ou evacuar
Inchaço local
Mau cheiro
Episódios repetidos de abscesso
Como a fístula anal se forma?
Na maioria dos casos, a fístula tem origem criptoglandular, ou seja, começa a partir da infecção de pequenas glândulas presentes no canal anal. Essa infecção pode formar um abscesso e, se não houver cicatrização adequada, evoluir para a fístula.
Outras causas menos comuns incluem:
Doença de Crohn
Traumas locais
Cirurgias anorretais prévias
Radioterapia
Infecções específicas
O que é fístula anal complexa?
A fístula é considerada complexa quando apresenta características que aumentam o risco de recidiva ou de comprometimento da continência fecal. Entre elas:
Trajetos altos, que atravessam grande parte do esfíncter anal
Múltiplos trajetos ou orifícios externos
Fístulas anteriores em mulheres
Fístulas recorrentes (já operadas anteriormente)
Associação com doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn
Presença de abscessos associados
Esses casos exigem avaliação criteriosa e planejamento individualizado do tratamento.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da fístula anal começa com uma avaliação clínica detalhada realizada pelo proctologista. Em muitos casos, o exame físico já é suficiente.
Quando necessário, exames complementares podem ser solicitados, como:
Ressonância magnética da pelve (padrão-ouro para fístulas complexas)
Ultrassonografia endoanal
Exames laboratoriais, dependendo do contexto clínico
Quais são os tratamentos para fístula anal?
O tratamento da fístula anal é cirúrgico. Não há medicações capazes de fechar definitivamente o trajeto fistuloso.
A escolha da técnica depende de fatores como:
Tipo e extensão da fístula
Envolvimento do esfíncter anal
Se é simples ou complexa
Histórico de cirurgias prévias
Condições clínicas do paciente
Principais opções de tratamento:
🔹 Fistulotomia
Indicada para fístulas simples, com baixo risco de lesão do esfíncter. Consiste na abertura do trajeto para cicatrização de dentro para fora.
🔹 Seton (fio de drenagem)
Utilizado principalmente em fístulas complexas. O seton mantém a drenagem, controla a infecção e pode ser usado como tratamento definitivo ou como etapa preparatória para outra cirurgia.
🔹 Técnicas preservadoras do esfíncter
Muito importantes nas fístulas complexas. Entre elas:
Retalho de avanço
LIFT (ligadura interesfincteriana do trajeto fistuloso)
Fechamento do orifício interno
O objetivo dessas técnicas é tratar a fístula preservando ao máximo a função do esfíncter anal.
🔹 Tratamentos associados
Em casos específicos, podem ser utilizados cola biológica ou plugues, embora os resultados variem conforme o perfil da fístula.
Fístula anal tem cura?
Sim, a fístula anal tem cura, mas o sucesso do tratamento depende de uma abordagem correta e individualizada. Fístulas complexas podem exigir mais de um procedimento e acompanhamento contínuo.
O mais importante é evitar atrasos no diagnóstico e procurar um proctologista experiente, especialmente nos casos recorrentes ou complexos.
Quando procurar um Proctologista?
Se você apresenta dor anal persistente, saída de secreção, histórico de abscessos ou cirurgias anais prévias, é fundamental buscar avaliação especializada.
Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de um tratamento eficaz e com menor risco de complicações.




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